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30 de julho de 2016

Serra, mar. E os lugares a que chamamos casa.

Acredito que nos podemos sentir em casa em qualquer parte do mundo. Sempre acreditei. Apesar de amar Portugal, o meu país, de coração e alma e de para mim, ser a minha casa. Sei também e acredito, que nos sentirmos em casa, é algo complexo.

Acredito que é possível, nascer e crescer num país, sem nunca o sentimos como tal, como a nossa casa. Acredito que é possível viajar, estar no outro lado do mundo e sentirmos que chegámos a casa. Termos esta sensação, este conforto no coração, na minha opinião, tem a ver com identificação. Identificarmo-nos com a cultura, com as gentes, com o lugar... é amor. E o amor é tão difícil de explicar... Sente-se aquele quentinho no coração, aquele conforto. Sente-se que se pertence ali. E essa sensação de pertença, é do melhor que se pode sentir... quer seja de pertença a um lugar, quer seja, quando o nosso coração pertence a alguém. Quando sentes que aquele lugar é a tua casa. Quando sentes que aquele alguém, aquele abraço, é também a tua casa.

Quando somos emigrantes, damos por nós, a pensar em todas estas coisas...
Muitas vezes é-se criticado, quando encontramos este lugar especial, fora do nosso país natal e por vezes, há quem já não queira voltar. Não para viver definitivamente, voltam apenas de férias. Aqui, a critica, é quase, como se fossem ingratos, como se tivessem abandonado o seu pais. Numa situação inversa, há também quem pense, que ao ser emigrante, ao estar noutro país, não se ambienta, não encontra a sua casa, quem não quer... como se fosse possível mandarmos no nosso coração... não podemos mudar os lugares, as gentes, as culturas, nem mesmo a frieza em alguns corações... não podemos... no meu caso, é isto que acontece. Podes estar num lugar belíssimo, mas se a tua alma é feita de sol e de horizontes e as montanhas encobrem, sentes-te preso. Podes estar num país rico, mas se as pessoas têm atitudes, de uma pobreza de sentimentos imensa e são tão diferentes de ti, de nós, da nossa forma de viver, cria-se um distanciamento muito grande, uma falta de identificação muito difícil de ultrapassar.

Pode existir uma razão apenas, ou muitas, para se gostar ou não de um lugar. No caso da Suíça, falo, por exemplo, de uma falta de cuidado e de acompanhamento das suas crianças, que vão desde os três, quatro anos, sozinhas, sem os pais para a escola ou creche... e se lhes acontece algo, se são atropeladas, a responsabilidade nunca é dos pais. Percorrem grandes distâncias a pé, por vezes sós, outras, com colegas da mesma idade ou pouco mais velhos, mesmo que esteja a chover ou a nevar intensamente. Já vimos várias situações de perigo, de crianças muito pequeninas quase a serem atropeladas, porque vão a brincar no meio da estrada. E para eles, os pais e as mães portuguesas, são os piores. Chegando a proibir de levar e de ir buscar, as crianças à escola... Porque não os deixamos ser independentes, porque não os deixamos ser responsáveis. Acredito que proteger demais não é bom, mas esta forma de viver e de pensar, sobretudo, de tratar os seus (e os nossos) filhos, causa-me muita confusão. E sinceramente, não me imagino a ter filhos num país assim. Claro que há pessoas boas e conscientes em todo o lado. Mas quando esta forma de viver, de ser, faz parte da cultura de um país, torna-se complicado.

Poderia vos falar de outras coisas, com as quais não me identifico e que me fazem sentir que esta não é a minha casa. Ou posso apenas dizer, que é um amor imenso, que me faz querer voltar e ficar. Mas seja como for, casa, é onde nos sentimos bem e felizes. E isso pode acontecer em qualquer lugar. Podemos partir e nunca mais voltar, encontrando o nosso porto de abrigo onde nunca pensámos que fosse possível. Podemos deixar a nossa casa e regressar, regressar ao lugar onde fomos e somos felizes. Ou podemos até, nunca partir. Ter sempre vivido no nosso país e sentirmos que aquele é o nosso lar. Seja qual for a situação, seja qual for o local, só cada um de nós o sabe. Sem julgamentos, porque o amor não se julga. Sente-se. Só cada um de nós sente, aonde, a que lugar, pertence.

Eu pertenço aqui, a este verde, a este mar - a este amor. ❥





 Tanto verde... tanto mar...

9 de julho de 2016

Sem linha de horizonte..

As montanhas que escondem o horizonte. Como a querida Ana, também eu sou pessoa de horizontes. De olhar até onde a vista alcança... Quer seja nos campos, onde essa linha é bem visível e divide o verde da natureza do azul do céu. Quer seja no mar, onde por vezes se torna difícil de distinguir onde acaba o oceano e começam os céus. Quer seja ainda, no topo de uma vila ou cidade, onde o nosso olhar se perde nos edifícios, nos telhados, ou no rio ao fundo, como em Lisboa. Ter o horizonte a descoberto, tentar ver o máximo que conseguimos, o máximo que alcançamos, faz parte de mim. Com o sol como companhia; de dia, forte radiante, e ao final da tarde a preencher o nosso horizonte de tons laranjas e rosas, como num dia de Verão. É quase, como um renovar de esperança, um novo fôlego da vida. O Horizonte a descoberto é como se fosse a vida a mostrar-nos, que pode haver sempre mais, mais uma possibilidade, mais uma razão, mesmo que por vezes não a consigamos vislumbrar.

As montanhas por sua vez, têm um efeito diferente. Altas, imponentes, fazem-nos sentir pequenos, por vezes, quase, como encurralados. Por outro lado são detentoras de uma beleza gigantesca, proporcional ao seu tamanho. Tapam-me o sol tantas vezes, não que ele não tente escapar, e faz-se notar por entre as sombras dos Alpes, chega até nós, muitas vezes, numa luz difusa, filtrada, ainda assim, tão bonita. Quando chego a Portugal, dou por mim, a fechar os olhos e a sentir a luz, a claridade, o calor... o sol na face... e sabe tão bem... Nos Alpes, mais dificilmente isto acontece. No entanto os Alpes, as montanhas da Suíça, guardam em si, uma força imensa... quase como se nos quisessem mostrar, que é possível, que tudo é possível, pode ser difícil a escalada, mas é possível chegarmos lá, o que quer que seja que ansiamos na nossa vida. É possível tocar os céus.

E estas imagens que hoje vos deixo, mostram um pouco desta força e beleza; o topo das montanhas, os campos verdes, o sol por entre as árvores e folhas, e flores, muitas flores. O Verão pode ainda não ter chegado aqui, a chuva pode ainda não ter parado de cair, mas a beleza está sempre lá. Basta que a consigamos ver. Com ou sem, linha de horizonte.








Tão bonito! Gosto tanto desta foto. 

16 de abril de 2016

Em tempo de flores.. pensamentos e coisas (muito) bonitas.

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A Primavera assim como a vida, não espera por nada, nem por ninguém. Se andamos perdidos nos caminhos e nas encruzilhadas da vida, se por vezes nos sentimos, numa névoa, num nevoeiro que não se quer dissipar, se nos parece tão difícil encontrar o nosso caminho... independentemente de tudo, a vida corre lá fora, alheia ao que vai dentro de ti, ao que se passa nas nossas vidas. Continua a haver sol, ou chuva que cai com força, continua a existir quem sorria, quem seja feliz, quem ame, quem sinta que encontrou o seu caminho, nisto, a que chamamos de viver. Não é a vida que tem que te encontrar ou ajudar a que encontres o teu caminho. Nós é que temos que descobrir o caminho certo, entre muitos não tão certos, nós é que temos que descobrir, que seguir, que lutar, pelo que nos faz verdadeiramente felizes. E a Primavera, é também assim, não espera por nada, floresce, renasce, com toda a sua força. Há dias, observava através da minha janela, que a árvore despida, começava a ter uns pequenos rebentos verdes. No dia a seguir já se viam pequenas folhas, e devagar, dia após dia, mais folhas surgiram, mais verde, não só aquela, como também as árvores em seu redor. Hoje ao olhar pela janela, apesar da chuva que teima em cair, dei com a árvore já repleta de folhas, completamente verde… Neste ciclo que é a vida, tudo segue o seu rumo, tudo renasce, mesmo que a chuva, ou a neve já fora de época, teime em cair. Talvez para nos lembrar, que independentemente, do que surja no nosso caminho, (como a Marisa, diz) a vida tem pressa que tudo aconteça. E o tempo, contrariamente ao que muitas vezes desejamos, não pára, não pode parar… a natureza, a vida, tem que seguir. E nós ? Bom… e nós, temos de encontrar o nosso rumo e trazer a Primavera para dentro de nós, nos nossos corações, com as flores, as borboletas, com a alegria que sentíamos em criança… Como, ao nos deitarmos no meio de um campo florido, ao sentirmos os cheiros adocicados, o sol que nos aquece a pele e a alma, ao ouvirmos os sons da natureza, dos pássaros, e aquela calma, aquela paz. Aquela felicidade.. 


⦁ ⦁ ⦁ 


Além destas minhas divagações, trago-vos coisas bonitas. Trago-vos flores, e uma Primavera desenhada, pelas mãos de Cinzia Bolognesi. Conheci esta artista, através de um artigo no site - Bored Panda, e fiquei rendida ao seu talento, apaixonada pelas coisas bonitas que faz. A Cinzia desenha em guardanapos e noutras superfícies, criando as suas little coffee stories, como menciona no seu Instagram. Usa elementos reais; a chávena de café, flores, açúcar, assim como outros, e com eles faz magia, ao integrar com os seus desenhos. Cria histórias e um mundo de fantasia que espero que vos encante, tanto, como me encantou a mim. Agradeço imenso à Cinzia, por ter aceite o meu convite e por me permitir mostrar-vos algumas das suas histórias. Vamos beber um Café ? E sonhar enquanto isso ? 

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“ In the enchanted realm of spring the flowers are not ashamed of what they are.”

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Go and catch a falling star, Get with child a mandrake root, Tell me where all past years are, Or who cleft the devil's foot, Teach me to hear mermaids singing, Or to keep off envy's stinging, And find What wind Serves to advance an honest mind.”  John Donne


“ The acrobat and the Red moon - Leap day. Leap year. Leap of Faith.”

✶ As descrições/citações, são as que a autora escolheu e que acompanham os seus desenhos.

 Podem seguir a inzia, através do seu Site ou através do Instagram.
E aqui, podem ver o artigo do Bored Panda.

* Autoria das Ilustrações - Cinzia Bolognesi
*Autoria da foto - Life, Love and Photograph

18 de março de 2015

Aos que se esquecem do Amor..

'' Há alturas em que não me sinto deste tempo. Onde tudo é descartável e fácil. Onde se coloca no lixo aquilo com o qual não nos apetece lidar. Onde não é necessário empenharmo-nos no que dá trabalho, pois do outro lado da rua se encontra com facilidade uma outra opção disponível e menos trabalhosa. Que até sorri e é leve e fácil. Não sou deste tempo onde se acha que se ama, mas assim que algo treme, se dá um passo atrás e se decide ir em busca de algo que não nos desnorteie as ideias. Em sucessão. Buscando, em vão, uma relação perfeita. Ou que, por e simplesmente, não nos mace e dê dores de cabeça. Não dando tempo, sequer, para perceber o que poderia - ou não - resultar. Onde é mais fácil desistir do que persistir. 

 Decididamente, não sou deste tempo fácil e de descarte automático. Onde se sente pouco e em doses controladas. Não sei entrar pela metade de mim, resguardando o resto para, no caso de correr mal, os estilhaços não serem por inteiro. Dou-me sem nunca aprender e não fazendo pagar a quem chega as atitudes de quem se ausentou. Não sei mostrar apenas a superfície de mim. Não sei ser ao de leve. Não sei ser só um bocadinho. Não amo com facilidade mas, quando amo, amo com tudo de mim. Amo, não sem espernear, tudo do outro. No bom e no mau. No fácil e no difícil. 

 Não sou deste tempo.
 E não quero aprender a ser. ''        ( texto da autora Rita Leston )

Concordo tanto com estas palavras... Acredito que, para uma relação durar, tem que se lutar por ela, dar tudo de nós e não desistir à mínima dificuldade. Também eu, só sei amar, dando tudo de mim, mesmo sabendo os riscos, de me partir, de sofrer... Mas não consigo ser (nem poderia ser) diferente, dessa forma, não estaria a amar incondicionalmente e para mim, esta é a única forma de amor que faz sentido... Este amor que te tenho, este amor, que com todas as dificuldades de uma vida, com todas as lutas, resistimos e caminhamos lado a lado. A minha mão na tua, a minha cabeça no teu peito, os nossos abraços apertados e assim vamos seguindo por esta estrada, pode não ser fácil, mas vale a pena. E muito.  

Deixo ainda, estas simples frases, mas tão certeiras, ouvidas numa destas noites :
'' O amor morre quando as pessoas não o estimam, não o mimam, não cuidam... não se dedicam... dão as coisas como adquiridas...
O amor é como uma guerra, no bom sentido; a gente tem que combater por ele todos os dias.
As pessoas muitas vezes, esquecem-se do amor... ''  ( novela Jardins Proibidos )

21 de novembro de 2014

O que se perdeu de mim..

Foto de Gabriela Tulian
Sinto que algures entre a menina risonha, alegre, sonhadora e a mulher que sou hoje... muito se perdeu, muito de mim se foi perdendo ao longo do tempo...

Precisei de pessoas ao meu lado que não estiveram presentes... continuo a precisar e continuam a não estar...

Sinto sobretudo que a vida, tudo o que passou por mim, me entristeceu... Há quem diga que tenho um olhar triste... não sei se o terei, não é consciente, mas sei que até hoje ando a procura da menina, da sua alegria, do seu ingénuo acreditar que tudo é possível e continuo sem a encontrar. Sinto-a perdida à medida que os sonhos de infância, de adolescente e até mesmo os de adulta vão desaparecendo.

Não acredito que tudo o que vivemos torna-nos mais fortes... fica bem a frase em canções, mas não acredito. Pode ensinar, mas fortalecer ? Não. Muito do que vivemos de menos bom, deixa-nos marcas para sempre...

Acredito sim, que uma criança deve brincar, sonhar e ser feliz, mas não apenas enquanto é pequena. Acredito que deve ser incentivada a continuar a sonhar, a lutar pelos seus objectivos, deve ser apoiada e sobretudo amada, muito amada... Para que a magia do que era na infância não se perca para sempre... Na pessoa que podia ter sido e naquilo que realmente se tornou.

E há alturas em que mesmo adultos, nos sentimos engolidos pela vida, pelo que passamos. Sentimos-nos pequenos, muito pequenos, frágeis e a precisar de ''colo'' tal como a criança que um dia fomos.

Sinto que estive presente, quando precisaram, que dei tudo de mim e fui adiando o que nunca deveria ter sido adiado. Coloquei os sonhos de outros, as necessidades de outros à minha frente e à frente do que eu sonhara e tinha planeado para o meu futuro. Sei que o fiz com todo o amor, penso que é assim que devemos agir com aqueles que são do nosso sangue (e não só) e na altura o que fiz pareceu-me correcto, mas hoje adulta, sei que deveria ter sido diferente. Sei que eu é que era a jovem menina e não deveria ser eu a agir como adulta, num tempo em que o que devia fazer seria estudar, namorar e ser feliz.

Custa-me sobretudo, não sentir qualquer gratidão, não que esperasse uma palavra, um obrigado. Mas que essa gratidão se traduzisse em gestos, em preocupação, em carinho e em amor. Porque amor, precisamos sempre ao longo da nossa vida.

Custa-me ainda saber, que no meio de uma luta, que não era minha, eu era apenas a filha, nada mais, houve quem me esquecesse, ou se não esqueceu, age como tal, desde essa altura e sei que assim vai continuar...

No entanto e durante todo este tempo, a criança que fui, teve um menino com quem brincava. Na adolescência e principio da idade adulta, enquanto toda a sua estrutura familiar se desmoronava (na realidade nunca esteve inteira) nas vezes que aparecia a chorar à sua porta, teve um jovem que a confortou, apoiou e foi a sua família e sei que esse jovem, hoje homem, continua a ser o meu porto de abrigo. Mesmo longe, mesmo noutro país e eu sinto-me grata por o ter na minha vida, sinto-me grata por este amor. Obrigada meu amor, por tudo...

Quanto ao que se perdeu de mim, talvez um dia consiga recuperar... Talvez um dia volte a acreditar que tudo é possível, que em vez do olhar triste, estes olhos grandes e castanhos, como dizes amor, se voltem a iluminar... Talvez um dia... ⦁

28 de setembro de 2014

Somos Instantes..

Foto de Elena Shumilova




















Sempre gostei de voltar aonde fui feliz ... fisicamente, voltando a determinado lugar ou abrindo as gavetas da memória e viajando para esse espaço no tempo que me marcou pelos bons momentos vividos ou por algo que quero que permaneça em mim, que o tempo não apague.

Não falo de momentos menos bons, esses também fazem parte da vida e aprendemos com eles. Afinal é o que vivemos de bom e de menos bom, que nos torna e nos molda, ao que somos hoje.

Falo sim, de quando num dia mau, te recordas e te refugias, no ultimo abraço que deste ao amor da tua vida, ou quando não consegues adormecer e revês mentalmente os traços do seu rosto, aquele dia em que passeaste com ele, os beijos e o seu cheiro, sim, o cheiro retido na memória e que não esqueces..

Falo de quando vês uma criança na rua que te sorri e dás por ti instantaneamente a devolver o gesto e és levada para esse tempo já longe, onde corrias sem parar, onde para ti o mundo era um local a descobrir, cheio de coisas bonitas.. recordas-te do sol na face, de passar tardes a apanhar flores, dos cheiros do campo e sentes a mesma magia de outrora, a magia do mundo visto pelos olhos de uma criança, um mundo cheio de brincadeira, cheio de sonhos.

Falo de instantes, a vida é feita de instantes, de momentos, o que vivemos hoje será a memória do amanhã. Sei perfeitamente, como se algo me despertasse a alma, quando vivo algo de muito precioso, esse instante perfeito e tantas vezes tão fugaz. E quando acontece só o quero guardar em mim, na memória para nunca mais o perder e poder voltar a ele sempre que as forças me faltem. Para não o perder se tal fosse possível selava-o, lacrava-o,  fechava esse instante perfeito a sete chaves. Mas não é possível e assim ao longo da vida, vamos guardando em nós memórias, pessoas, lugares onde fomos, onde somos felizes.

Nós somos a soma imperfeita, nunca seremos perfeitos, do que vivemos, da criança que fomos, do carinho que nos dão, da educação, das brincadeiras, dos sorrisos, da alegria, da tristeza, do amor. Tudo isto leva-nos ao que somos hoje e continuamos a somar, experiências, recordações, é a vida que corre e que nos leva ao que seremos amanhã.

E se tudo isto se apagasse ? 
Se tudo o que vivemos, quem conhecemos, quem somos fosse sendo apagado ?
É arrepiante saber que pode acontecer, que existem doenças progressivas e degenerativas que mesmo deixando-nos vivos, podem levar toda a vida que há em nós, o que somos e o que vivemos irreversivelmente.. 

Tenho medo, não vou dizer que não.. Não sei o que o futuro nos reserva, ninguém sabe.. 
Mas sei o que não quero esquecer nunca e que tento guardar para sempre em mim ; 
A menina que fui, a jovem que se apaixonou por ti amor, até hoje.. Não me quero esquecer dos teus beijos, nem do teu toque em mim, nem dos teus abraços fortes que me abrigam.. Não quero esquecer que num Agosto, que quis ser ameno, me casei contigo, que estavas nervoso e eu trémula mas os dois felizes... Não quero esquecer o teu sorriso, nem o teu rosto.. Não quero esquecer quem sou e nem de quem tu és. 

A vida é feita de instantes e das suas memórias, vamos vivendo e recordando e espero que sempre assim o seja 

" O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis ". - Fernando Pessoa

27 de agosto de 2014

Algum Sorriso eu Perdi..

Como agir, quando nada corre como idealizamos ? Quando os sonhos se desfazem e quando a vida te atira ao chão sem tapete, como agir quando a vida nos sacode e nos põe à prova ?

Encontrar o equilíbrio, a serenidade de espírito, a felicidade.. Não é fácil ..
é uma busca constante pelo que nos faz felizes, pelo que nos põe um sorriso franco no rosto ou uma alegria que se nota à distancia e nos deixa com os olhos a brilhar..

Sonhamos a dormir, mas sonhamos principalmente acordados, desde muito pequenos, desde jovens... fazemos planos, uns tontos, mas que nos fazem rir e que nos dão alegria e cor aos nossos dias, outros racionais, com sentido e que nos acompanham ao longo da vida. Estes sonhos, acabam por ser alguns deles, projectos, uma linha que nos guia, por isso ao longo dos anos, por mais que te esforces, se continuas sem alcançar, a insegurança instala-se, a inquietude igualmente e algum sorriso se perde..

Se desistimos de tentar alcançar os nossos sonhos e objectivos ?
Não, nunca. Ao longo da vida, como diz a música, " algum sorriso eu perdi "... Há sempre algo que se perde e se ganha nesta luta, mas... não, não perdi a capacidade de sonhar e no entretanto... " vou pedir ao tempo que me dê mais tempo " para lá chegar...


Praia dos Gálapos, Agosto de 2014
* Autoria da foto - Life, Love and Photograph

4 de julho de 2014

Queria Ser a Tua Menina..

Foto de Elena karneeva

Só eu sei....

Como me custa escrever estas linhas...
Como me dói ser indiferente para ti...
Como consegues não cuidar, preocupar, amar...?
Eu já tentei não Sentir, mas não consigo...

Amo-te com todas as minhas forças e amar-te-ei sempre...
Custa-me profundamente ver o tempo a correr, sei que não vais estar cá para sempre...
E tenho receio que seja só isto que leve de ti... 
E que tu leves de mim, existe tão mais para dar...

Quando me aproximo, afastas-me...
E quando estás longe é como se ninguém existisse para ti..
Mas eu nunca me esqueço de ti..

Queria ser a tua menina ...
Que nunca fui...

 Este texto, não foi escrito hoje, já foi escrito há algum tempo, mas foi sentido hoje mais uma vez, como se tivesse acabado de o escrever. Nada mudou... E o tempo não pára.. vai correndo acelerado e nada se altera entre nós.. Nunca me esqueci de ti, nem nunca me esqueço de ti, mesmo que tu nunca te lembres de mim. 

Fazes hoje setenta anos.. Gostava que tudo fosse diferente.. mas apesar de tudo, Parabéns..

3 de julho de 2014

O Mundo precisa de Loucos... Loucos Uns pelos Outros !

Foto de Annie Leibovitz

Vivemos numa sociedade cada vez menos humana. Cada vez existe menos tolerância, menos cuidado e atenção com o próximo, na minha opinião cada vez mais, as pessoas preocupam-se apenas com elas próprias ou com quem lhes é mais próximo. Nem estou a falar de educação, que é essencial e devia estar incutido em todos nós, sermos educados com os outros. Se bem que para mim, tratar bem o próximo faz parte da nossa educação...

Falo de quem é rude para o outro, falo de quem é arrogante, falo de quem é irónico com maldade, falo de pessoas que destratam os outros, que se acham superiores a todos e que na sua ignorância desconhecem que ninguém é superior a ninguém..

Trabalho num ramo, onde me deparo com esta realidade diariamente; num trabalho de atendimento telefónico, de apoio ao cliente, e oiço de tudo...
Desde os que pensam que quem está do outro lado da linha, não são nada, que eles são muito superiores, como uma arrogância desmedida, aos que pensam que somos uns frustrados que trabalhamos num emprego mal pago e que fazemos o mínimo, outros que descarregam a sua frustração, muitas vezes não pelo que os leva a contactar, mas por vezes sinto.. que descarregam tudo o que vai mal nas suas vidas. 

Desconhecem que está ali um profissional com formação e com interesse em ajudar, em dar o seu melhor, em resolver a sua questão ou problema. São seres que entram em linha aos gritos, outros mal educados, outros que nem ouvem o interlocutor, pessoas que exageram situações que para o mais comum dos mortais não faz qualquer sentido; em que o simples facto de não terem recebido uma factura, surge num drama de gritos e ofensas, quase, como se tivessem um problema semelhante a uma doença grave.. numa insanidade total. Muitos deles, depois de muita insistência nossa para ajudar, para nos fazermos ouvir, acabam no final por pedir desculpa, '' a Sra não tem culpa, desculpe lá ''... 

O que eles desconhecem ou parecem desconhecer é que quem os está a ouvir, é alguém que por mais que se queira distanciar e pensar que não é com ele próprio, que é com a entidade que o cliente está insatisfeito, é impossível tudo isto não nos tocar, como seres humanos que somos e que estes '' loucos '' parecem se esquecer. E a seguir ao atender mais um cliente, para esse cliente, não pode transparecer,  o que de mau aconteceu na chamada anterior, é uma gestão emocional.. difícil de gerir.

Já ouvi dizer : '' mas pensas assim, porque é o teu trabalho, como cliente também serias assim.. ''
Não. Nunca o fui, quando ligo para uma linha de apoio, quando tenho que reclamar, não tenho que insultar quem está do outro lado, tenho apenas que expor a situação para que a mesma seja resolvida.
Todos sabemos que não vivemos uma época fácil, que muitos estão desesperados, que têm dificuldades financeiras e outros problemas que os atingem, mas não me parece que seja este o caminho.. nem a solução.. tratar mal o próximo.

Ao lidar com esta loucura diariamente, por vezes, quando surgem os amáveis, os simpáticos, que infelizmente não são a maioria... já estamos tão habituados ao pior, que dou por mim sem saber como reagir ao melhor..
Lembro-me de um senhor com uma dificuldade num telefone, em que ao ajudar e ao pedir para testar, para confirmar se estaria a funcionar diz-me :

'' O que acha vou ligar para a minha mulher e dizer que a amo muito, acha bem ? Sabe estamos tão felizes, vamos ser pais.. é isso mesmo vou ligar para ela e dizer que a amo muito e que é a mulher da minha vida...'' 
Ri-se, diz estas palavras com um contentamento que só os apaixonados sentem.. O sorriso dele está nas palavras, está na voz... Sorri, fiquei praticamente sem resposta, sorri e voltei a sorrir e pensei que faz tanta falta este amor, esta loucura nos nossos dias.. 
Sim, o Mundo precisa de Loucos, mas de uns pelos Outros.  

11 de maio de 2014

Condição Humana..

 Menina Siria, na sua casa em ruinas, após um incêndio causado pela guerra - Foto de autor desconhecido

Ninguém escolhe onde nasce e a que família pertence.. é algo que nos é impossível escolher.. Como seres humanos, crianças, bebés.. Nascemos onde a nossa família está, seja num meio mais afortunado ou num meio mais humilde e pobre e muitas vezes em circunstâncias terríveis.. Como crianças que nascem e crescem num pais em guerra por exemplo.

Na realidade actual, no meio de tanta tecnologia, de tantas redes sociais, penso que a consciência social é cada vez menor.

Esta semana numa rua de Lisboa, vi um Senhor, numa cadeira de rodas, sem os membros inferiores a pedir esmola.. Subi a rua, olhei para ele, vi as pessoas a passarem, muitos nem olham, senti como se tivesse levado um murro no estômago.. Agarrava uma pequena caixa e olhava as pessoas com um olhar vago.. sem esperança.. Pensei para mim, que ao descer a rua iria ter com ele e assim o fiz.

Ajudei com o que podia ajudar, a caixa dele estava praticamente vazia, olhou-me com um olhar tão triste, mas tão triste e disse-me Obrigado, partiu-me o coração.. Senti que estava a fazer tão pouco..

Ouvi algures, penso que por um psicólogo, que na nossa vida, temos tendência a nos distanciarmos porque é muito duro, vivermos, convivermos diariamente com realidades tão difíceis.. Talvez falasse do aperto que senti, mas e quem está lá ... E quem passa por isto, vive e sente na pele ?

Podia ser eu naquela cadeira de rodas, sem quaisquer posses ou meios para subsistir.. Podia ser eu a criança que ficou sem os pais numa guerra estúpida, ou podia ser a mãe dela.. que devido á guerra parti e a deixei só neste mundo..

Há pouco tempo vi uma reportagem sobre os refugiados da Síria, vi uma família em que as crianças devido á guerra perderam a mãe.. Uma guerra que já vai no quarto ano..

São crianças que cuidam de crianças, criam os irmãos e tomam conta do pai .. Que devido a guerra e à perda da mulher ficou completamente afectado psicologicamente e regrediu para um estado quase infantil.

Uma das meninas, a Halla, contava a Angelina Jolie que tinha sonhado com a mãe, que tinha muitas saudades dela... que acordou a meio do sonho e tentou novamente adormecer e voltar a sonhar .. mas não conseguiu.. Conta que tem saudades da mãe os deitar e das historias que lhes contava..

Estes irmãos apoiam-se da maneira que podem numa pequena barraquinha, tratam do pai, dão-lhe medicamentos, vivem do que conseguem apanhar dos destroços e vendem..
Contam que eram uma família normal que iam a escola, que brincavam no jardim, quando as bombas vieram.. O mesmo jardim que Halla diz que tem saudades do seu verde e de brincar nele..

Chorei ao ver esta reportagem, há uma pequena parte em que um dos meninos pergunta a Angelina se ela tem filhos, ela responde que sim e a preocupação dele, era com quem estavam.. se estavam sozinhos.. e repete a mesma pergunta varias vezes quase numa aflição...tocante... arrepiante ..

Estas crianças ao contrário de muitos tablóides, não querem saber se é mulher de um actor conhecido.. Ou qual foi o vestido que levou a uma festa.. Eles querem saber se as crianças tem pai.. E se estão sozinhas.. Isto é a preocupação deles..

Falta-lhes a mãe, o seu carinho, a sua protecção, o seu cuidado, falta-lhes um pai capaz de os proteger, estes meninos deixaram de ir a escola, foram forçados a crescer, a sua infância, o seu tempo de serem meninos, foi-lhes roubado.. tão triste .. É tão triste..

Acho sinceramente e esta é a minha opinião, que as pessoas estão mais frias, mais preocupadas consigo mesmas, mais egoístas, há excepções claro e ainda bem.. Mas vivemos numa sociedade em que as pessoas são cada vez menos amáveis, em que se formos numa rua e nos derem um encontrão, muitas vezes, não se ouve um desculpe, ouve-se cada vez menos um Obrigado, quantos de nós já cumprimentámos alguém e não nos responderam de volta ou falaram conosco de forma rude, sem qualquer razão..

Dizem que são os tempos difíceis, a crise, a falta de dinheiro, a falta de trabalho.. há menos tolerância.. mais desespero..

 Acredito, mas e então e aqueles, que não tem nem dinheiro, nem tecto, nem emprego, que ainda cuidam de pessoas doentes ? E mesmo assim ainda se preocupam com os outros..

Estes tempos que dizemos que são difíceis, não nos deviam tornar mais humanos e fazer-nos dar valor ao que temos, que possivelmente até não é assim tão pouco.. Somos pessoas cada vez mais insatisfeitas, devíamos agradecer mais o que temos e olharmos em redor e termos consciência de outras realidades e fazermos o exercício simples de nos pormos no lugar do outro..

A pergunta depois de ver a história da Halla e dos seus manos, que surgiu na minha mente foi esta : e como podemos ajudar  ? Usem as redes sociais para divulgar estas mensagens e vídeos, quem tiver a possibilidade, aceda aos Sites Oficiais ( Unicef, por exemplo ) e contribua.

Há quem diga que a Angelina Jolie, quanto aos seus filhos adoptivos, que é uma forma de se " auto-promover ", eu não acredito nisso, mas quem pensa assim e mesmo que assim fosse, não vê .. Que ela deu um lar a um menino vietnamita, deu uma família a um rapazinho do Cambodja e a uma menina da Etiópia.. Não é isto que é importante.. Que estas três crianças tem um lar, uma família e um futuro ?

Não, eu não critico em nada a Angelina, pelo contrário, eu própria se fosse aos países que ela tem visitado nas suas viagens humanitárias, também os iria querer trazer a todos, todos aqueles meninos e meninas para casa.. Essa também seria a minha vontade.. mesmo sabendo que é impossível ..

Sim, penso que devemos valorizar o que temos, sermos humanos, no nosso dia-a-dia, com quem nos rodeia, sermos mais amáveis e simpáticos e olharmos em redor e termos consciência que há realidades muito duras, muito piores que a nossa e que precisam de ajuda, como meninas que são obrigadas a casar com homens de 50, 60 anos, como as adolescentes nigerianas que foram raptadas e que as mães desesperam para que elas voltem para casa..

 Para mim, estas histórias, que são bem reais merecem ser contadas.

 No fim do vídeo, a pequena Halla diz : 

Se eu pudesse estar com a minha mãe por mais um dia ..
Eu deitar-me-ia ao lado dela, para ela me contar uma história de embalar, diria, eu amo-te mamã, tenho saudades tuas, fica conosco..

Aqui deixo o vídeo desta família Síria  - Angelina Jolie visits Syria refugees
Aqui, o vídeo da Catarina Furtado - Continuamos à Espera
Site da Associação - Corações com Coroa
Site da UNICEF - Children of Syria
Biografia da Angelina Jolie
Biografia da Catarina Furtado

E por último esta música que retrata este post - Faithless - Bombs
Divulguem este Post e os Vídeos, Obrigada


Crianças refugiadas Sirias - Foto de autor desconhecido

7 de abril de 2014

Seres Inacabados..

Foto Infãncia, tirada num pequeno parque em Alverca

Somos seres começados, mas inacabados..
Há quem diga que não mudamos, que o nosso feitio não se altera..
Eu não penso assim.. tudo muda, as estações do ano, a paisagem, os lugares, seremos nós seres imutáveis.. penso que não ..

Sempre tive receio de me tornar amargurada, "amarga", com o que a vida pode trazer.. desde muito nova sempre tive receio de perder doçura ..
A doçura de acreditar nas pessoas, de sorrir, de ser amável .. no fundo manter a inocência, manter um pouco o mundo visto pelos olhos de uma criança..

Este receio talvez se deva a ter lidado com pessoas que a vida mudou.. Lembro-me de lidar com pessoas amargas, por vezes rudes e de não entender o porque e de ficar triste com as suas reacções .. 
Mas a vida, o tempo, ensinou-me a ver de outra forma..
Que sabemos nós muitas vezes, de quem tem no olhar o peso do mundo.. de quem é seco por vezes sem razão aparente ? Quem sou eu para julgar o que desconheço.. O que vai no intimo de cada um.. Pessoas que podem estar a lidar com perdas de quem amam, doenças e outros problemas que surgem na vida..

Ainda fico triste .. confesso.. quando alguém é seco sem motivo aparente, mas fico mais triste não por mim.. Mas pela pessoa.. Penso que está ali alguém que já foi criança, que já riu sem parar, que brincou, sonhou, acarinhou e algo a fez mudar.. E isso para mim é triste.. tão triste..

Não me tornei amarga, seca, ríspida ou amargurada, mas continuo com o mesmo receio, porque não sei o que a vida traz, mas duvido que me torne seca perante os outros.. e para os outros..

Afinal, a vida também nos traz muito de bom que nos faz manter a inocência de criança ..
Penso que a essência está em focarmos-nos nas coisas simples... Algo que as crianças fazem tão bem..
Tirar prazer de estarmos com quem amamos.. da partilha, da cumplicidade.. dos pequenos gestos de amor, de carinho, de ternura, das pequenas coisas que nos fazem felizes e nos enchem a alma.. 
Sorrir e nos piores momentos, nunca deixar de acreditar que melhores dias virão ..

Afinal .. continua a existir dias de sol.. E de arco íris quando chove..
A vida para mim muda-nos sim, aprendemos muito, amadurecemos.. 
Mas eu continuo a manter uma parte da criança que fui ...

Criança essa que adorava andar de baloiço debaixo de um pinheiro em que o cheiro a resina e a flores do campo ainda hoje me levam para esse lugar, esse canto da minha memória ..
Lembro-me do baloiço do sol na cara, dos cheiros do campo, de me inclinar para trás, de fechar os olhos e da sensação de liberdade..

Sim, ainda mantenho muito dessa menina que fui. E assim quero permanecer.

Deixo aqui este video que adoro e que mostra a importãncia de pequenos gestos e esta música. 

Memórias de um amor..

Saudade..

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