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10 de agosto de 2016

Dos que amam o mar... Verão em Melides.

Estas imagens, que hoje vos deixo, são retratos dos que amam o mar. 
Imagens em tons de prata, com crianças a brincar. Imagens em contraluz de um mar revolto. 

São retratos dos que nadam, dos que mergulham, dos que riem e dos que sonham. 
São retratos de Verão numa costa tão bonita.
Espero que gostem e que se atrevam a mergulhar... 
Comigo... através das imagens. Ou numa praia mais próxima... 
Ou até mesmo... nos vossos sonhos...
E que nunca deixemos de sonhar - -











Quando o nosso olhar se perde no mar...

16 de maio de 2016

Aonde pertencemos..

Gosto da cidade. Gosto da agitação, gosto de me perder em ruas e vielas e de me encantar com cada canto... de olhar maravilhada cada fachada antiga, cheia de história, cheia de vida. É isso, a cidade transpira vida. Sou sempre uma turista na cidade. Com a câmara sempre pronta a registar cada momento, com um sorriso no rosto e com uma alegria quase infantil... e saio sempre de lá, de alma cheia. E o que eu gosto de cidades com alma... antigas e históricas, como Lisboa... Adoro as ruas em que o fado soa, fico encantada, de alma leve... e eu, que em miúda, dizia que não gostava de fado... mudamos tanto... e ainda bem... Adoro a movimentação, as ruas e cafés, cheios de gente, o comércio tradicional, as mercearias e cafés centenários, e a calçada tão bonita! Como falar de Lisboa ou de tantas outras cidades portuguesas, sem falar na nossa calçada ? Gosto dos monumentos antigos e estátuas, e também das estátuas vivas, de quem anima as nossas cidades, seja em homens (e mulheres) estátuas, seja com tantos outros talentos e façanhas, que nos fazem olhar, por vezes parar e muitas vezes, ficar a contemplar e a sorrir... uma pessoa e depois outra e mais outra, e quando damos por isso, um mar de gente, se juntou ali, e por momentos, esquecem o mundo, vivem aquele instante. Sim, eu gosto da cidade. Gosto que o meu olhar se perca no rio, no cais das colunas... Gosto da cidade menina. E também eu, sou menina... da cidade.

Cais das colunas (Terreiro do Paço), Lisboa, Abril de 2012

Gosto do mar. Como é possível não gostar ? Aliás, causa-me estranheza, viver agora, num país que não tem mar... logo eu, que gosto tanto de o ter ali, bem por perto, à distância de uma curta viagem... No mar encontro a minha paz... Talvez essa paz, esteja nas águas que brilham sob a luz do sol, talvez esteja nos grãos de areia que agarro num punhado e que escorrem rapidamente das minhas mãos, numa metáfora perfeita, de como o tempo nos foge por entre os dedos... Talvez esteja no som do bater das ondas ou nas gaivotas que tornam o mar, ainda mais encantador. Ou será o cheiro a maresia ? São todos estes pequenos detalhes que o tornam tão grandioso, e se é grandioso, imenso, o oceano... Poucas coisas nesta vida, me sabem tão bem, como um mergulho no mar, aquele instante, aquele momento de embate, em que o nosso corpo bate nas águas e sentimos aquela frescura que nos faz sentir vivos, só nós e o oceano, quase, como se entrássemos noutro mundo... E se sou feliz neste mundo... com sal na pele, com o corpo aquecido pelo sol e com uma leveza que só as coisas muito boas, nos trazem. Mas o oceano, não encanta apenas no Verão. No Inverno deslumbra-me... imponente, é dele próprio, das gaivotas e dos pescadores, dos homens que são do mar. Gosto de os observar, nos seus barcos ou com as suas canas de pesca, ali, só eles, e o oceano... e se são lindas as vilas piscatórias... Sim, sou do mar. O meu olhar perde-se no oceano, e ali, fecho os olhos, e fico quieta, a ouvir, a sentir toda aquela imensidão... e sinto-me pequena, menina... do mar.










Maravilhoso... Cabo da Roca (Colares), Sintra, Agosto de 2015

Gosto do campo. O campo, faz parte de quem eu sou, das minhas raízes, da minha infância, foi no campo que eu cresci... A minha casa era sombreada por um pinheiro e rodeada de muito terreno à volta, e fui tão feliz ali... No baloiço do pinheiro, fechava os olhos, sentia o cheiro a resina e baloiçava, voava por instantes... sentia uma liberdade... inigualável... Tomava banho no tanque de rega com os meus irmãos, apanhávamos fruta e comíamos directamente da árvore... deveria ser lavada, claro, mas para nós, era assim que nos sabia bem, era assim que éramos felizes... numa época em que se fala tanto em biológico, ali era tudo assim, tudo natural. Deitava-me no meio das flores e ali ficava, a sentir os cheiros adocicados, a brincar com joaninhas, a mordiscar azedas (umas pequenas flores amarelinhas), a ouvir os grilos ao final da tarde. Perseguia borboletas e sonhava, sonhava.. de pés bem assentes na terra, e com a mente e o coração, bem lá no alto, nas nuvens... numa antítese da vida, que eu na altura, era muito pequena para compreender. Era no campo, debaixo do pinheiro, que o meu pai nos fazia, um torricado maravilhoso... fatias de pão caseiro, douradas numa fogueira e barradas, ou pinceladas (aqui a memória foge-me e não me consigo recordar com exactidão, como fazia), com azeite e alho... Tão bom! Assim como os seus grelhados, o peixe e as saladas com pimento assado... Um pouco mais acima de onde morava, ficavam os eucaliptos... Ali, naquele terreno, existiam cogumelos, e mais uma vez, eu gostava de me deitar ali, de olhar para cima, para o topo daqueles gigantes, e de olhar a luz do sol, filtrada pelas folhas... Coisas tão simples e tão boas... Quando é que perdemos a capacidade, de nos sentirmos felizes, com as pequenas coisas ?... Fui a menina, que se sentava nos degraus da casa, com um caderninho, e a olhar o Mouchão de Alhandra, o rio ao fundo, escrevia versos... apaixonada. pela natureza... pelo cheiro da terra, quer fosse, depois de uma chuvada, ou no pico do Verão, pelo meu cão que abraçava, por pequenos nadas, que eram tanto... pela vida... Apaixonada, pela vida.

Sim, sou menina, da cidade, do mar, mas sou acima de tudo, do campo. É no campo, que eu volto a ser, a menina, que um dia fui.

Lezíria Ribatejana, Junho de 2013 

* O texto, sobre onde cresci, está totalmente no passado, porque aquele lugar, já não existe mais, não daquela forma... talvez um dia, fale sobre isso. Mas no meu coração e até mesmo no meio dos campos, consigo voltar, em parte, àquele lugar.

E tu, que me lês ;)  A que lugar pertences ?

Já me podes seguir no Instagram, aqui.

*Autoria das fotos - Life, Love and Photograph

9 de maio de 2016

Desenhar com Luz e Contraste... a Infância.

Quando pensamos em crianças, pensamos em alegria, em inocência, em brincadeiras, em cor. Muita cor. O mundo das crianças é cheio de cor, bem colorido como um arco-íris em dias de chuva. Mas em fotografia, há muito mais para além das fotografias coloridas. Há um mundo de cor, sim. Mas há também um mundo de contrastes, de sombras e luz. E de silhuetas em contraluz. São registos mais nostálgicos. E há qualquer coisa de muito especial nas imagens a preto e branco, que me encanta... talvez seja pela nostalgia, talvez seja, por serem fotografias sem tempo. Uma imagem actual em tons cinza, é do agora, mas poderia ser de ontem, do passado. E o inverso também sucede. O preto e branco tem qualquer coisa de mágico. São fotos mais carregadas, sim. Mas são carregadas de histórias, de emoções e expressões, mais ou menos acentuadas, dependendo muitas vezes do olhar do fotógrafo, mas também, de onde ele quis que a luz incidisse. Dependendo do que ele quis nos mostrar e destacar.

E estas fotos que hoje vos deixo, são fotos de crianças a serem crianças. A brincarem, a rirem, a correrem. São fotos de um concurso mundial de fotografia, a Preto e Branco. E esta é a minha selecção. Esta é a selecção que me fez sorrir. Espero que gostem, e duvido, que consigam ver a fotografia, da pequenina de óculos a sorrir, sem que vocês também esbocem um sorriso. ;)

★ Fotografia (do grego φως [fós] ("luz"), e γραφις [grafis] ("estilo", "pincel") ou γραφη grafê, e significa desenhar com luz e contraste.

Foto - Bikes, autoria de Charo Diez, Spain.

Foto - Flip, autoria de Clara Lu, USA.





Foto - Enjoing the day, autoria de Pavol Stranak, Slovakia.

Foto de autoria de Ashley Carlton, USA. 



Foto - Summertime, autoria de Izabela Urbaniak, Poland.



Foto - Dancing in the Rain, autoria de Kira Butusov Runde, USA.



Foto - Wish, autoria de Courtney Maltman, USA.



Foto - Morning, autoria de Angela Usmanova, Russia.



Foto - Happiness, autoria de Kira Butusov Runde, USA.



Foto - Irishka (a girl with Down syndrome), autoria de Anna Galperina, Russia.



Foto - Summer moments, autoria de Malú Ferreras, Spain.

Foto - Run, autoria de Niki Boon, New Zealand.


Podem ver mais em - Black and White, Child Photo Competition - 2015

E vocês, gostam de fotografias a Preto & Branco ? Têm alguma favorita desta selecção ? Comentem

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20 de novembro de 2015

Mas eles tem armas, eles podem atirar em nós... São mesmo muito maus, papá..

Este vídeo emocionou o mundo. Este vídeo em que o pai tenta acalmar o seu filho, emocionou-nos e eu não fui excepção. No entanto as suas imagens deixaram em mim, uma tristeza imensa...

Cortou-me o coração, ver uma criança tão pequenina, tão amedrontada, tão aflita... Com um pensamento tão sério, tão adulto, a pensar que tinha de mudar de casa, aflito, porque eles, os maus, tem armas e eles não... Aflito, porque eles... são mesmo muito maus, diz ele ao pai... É arrepiante esta realidade, o mundo está em choque, todos têm medo e este medo já chegou aos mais pequenos... Fico triste, muito triste, triste por tudo o que tem acontecido, triste pela infância que estes meninos estão a ter... Ou... que estão a deixar de ter... Eu com a idade deste rapazinho, não sabia o que era uma guerra, nem que existiam maus que matavam tanta gente e muito menos me preocupava, em mudar de casa, porque eles poderiam nos matar... Desta vez, felizmente, a inocência ganhou... Quero acreditar e desejo sinceramente que assim permaneça... e que na sua cabeça, continue a pensar: eles tem armas, mas nós temos flores... e velas... e elas nos protegem...

O mundo está perdido, por vezes pergunto-me, que futuro, que mundo terão estas crianças, as crianças de hoje... numa época, em que vidas são roubadas, como se não tivessem qualquer valor. A humanidade... parece quase, inexistente... E estes meninos, os que morrem numa praia, ou os que nem chegam a ela... que fogem precisamente da guerra, do terror; são vidas perdidas, uns que nem chegam a ter infância, outros em que essa mesma infância deixa de existir, porque crescem rápido demais vendo toda a crueldade que os rodeia. É este o mundo em que vivemos...  Precisamos de muitas flores... e de muitas velas... .

* Publicação relacionada - Condição Humana.

* Obrigada a todos pelos vossos comentários (respondo em breve) e por terem perguntado por mim, volto muito rápidamente, com imagens do Outono.  Küsse für dich (Beijinhos para vocês). ❤
.

3 de outubro de 2015

Ser criança por Elena Shumilova..

Admiro esta fotógrafa, pelas suas imagens ternurentas. Imagens de crianças a brincar, a correrem, a sujarem-se... a serem crianças... crianças felizes.

Este vídeo, conta a história por detrás das imagens, quem é esta fotografa e quem são os meninos, por detrás das fotografias que apaixonam.

partilhei anteriormente, fotografias desta autora, aqui no blogue e em breve, farei um post mais detalhado sobre as suas imagens. Hoje, deixo-vos este pequeno vídeo, espero que gostem, a mim, fez-me sorrir e recordar também, um pouco da minha infância.
Bom fim de semana !
.
 
*Podem seguir a Elena, aqui.

5 de julho de 2015

A criança é o amor feito visível..

Hoje, trago-vos algumas fotos do jardim de Glarus. Assim que o tempo fica ameno, é vê-lo a encher-se de crianças que brincam contentes, banhando-se na fonte do jardim. Estas fotos foram tiradas ainda com muito pouco calor, longe das temperaturas que agora se fazem sentir por aqui, que rondam os 30ºC. 

Espero que estas fotos, que acompanho com citações, vos façam sorrir, tanto, como me fizeram a mim. ;)

 Jardim de Glarus, Suíça, Junho de 2015



'' Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança. '' - Frase de Victor Hugo

27 de janeiro de 2015

The Eyes of Children around the World..


Hoje trago-vos na rubrica Fotografia pelo Mundo, a sugestão de uma página de facebook que me apaixona,

Esta página, com a colaboração de vários fotógrafos, publica fotografias de crianças por todo o mundo. Se nesta rubrica, por norma falo de autores que me apaixonam, esta página está repleta deles, de autores fantásticos, mas sobretudo dos seus olhares sobre as crianças. Com esta página já sorri muitas vezes e já me emocionei também. Na The Eyes of Children around the World, podem ver retratos de crianças no meio em que vivem, é uma página que procura também auxiliar em diversas causas relacionadas com as crianças e para mim é uma inspiração. Porque, uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo e um sorriso é universal, não necessita de tradução, assim como um olhar triste ou um olhar brilhante de felicidade. 

Deixo algumas fotografias da página que me apaixonaram com a indicação dos seus autores. 
Fotografia pelo mundo... Crianças do nosso mundo. 

Poonam com 7 anos de idade. Índia. Foto de Alex Masi


Índia. Foto de Maira Fridman
Foto de Geosmin Photography
Brasil. Foto de Antonino Bartuccio
Jamaica. Foto de Adrian McDonald
Turquia. Foto de Rafet Ertugrul
Malásia. Foto de Hesham Alhumaid
Índia. Foto de Sudipta Das
Foto de Adrian McDonald
Foto de Xinxin Chen
Japão. Foto de Witoldhippie
Não consegui identificar nem o autor da foto, nem o país, mas adorei estes olhinhos brilhantes.










Estas fotografias são apenas uma pequena amostra, do que esta página publica.

Deixo-vos o endereço - The Eyes of Children around the World
E um pequeno vídeo emocionante, feito pela página.

Gostaram ? Já conheciam esta página ? Comentem   :)


* Mais sobre esta rubrica, aqui.

21 de novembro de 2014

O que se perdeu de mim..

Foto de Gabriela Tulian
Sinto que algures entre a menina risonha, alegre, sonhadora e a mulher que sou hoje... muito se perdeu, muito de mim se foi perdendo ao longo do tempo...

Precisei de pessoas ao meu lado que não estiveram presentes... continuo a precisar e continuam a não estar...

Sinto sobretudo que a vida, tudo o que passou por mim, me entristeceu... Há quem diga que tenho um olhar triste... não sei se o terei, não é consciente, mas sei que até hoje ando a procura da menina, da sua alegria, do seu ingénuo acreditar que tudo é possível e continuo sem a encontrar. Sinto-a perdida à medida que os sonhos de infância, de adolescente e até mesmo os de adulta vão desaparecendo.

Não acredito que tudo o que vivemos torna-nos mais fortes... fica bem a frase em canções, mas não acredito. Pode ensinar, mas fortalecer ? Não. Muito do que vivemos de menos bom, deixa-nos marcas para sempre...

Acredito sim, que uma criança deve brincar, sonhar e ser feliz, mas não apenas enquanto é pequena. Acredito que deve ser incentivada a continuar a sonhar, a lutar pelos seus objectivos, deve ser apoiada e sobretudo amada, muito amada... Para que a magia do que era na infância não se perca para sempre... Na pessoa que podia ter sido e naquilo que realmente se tornou.

E há alturas em que mesmo adultos, nos sentimos engolidos pela vida, pelo que passamos. Sentimos-nos pequenos, muito pequenos, frágeis e a precisar de ''colo'' tal como a criança que um dia fomos.

Sinto que estive presente, quando precisaram, que dei tudo de mim e fui adiando o que nunca deveria ter sido adiado. Coloquei os sonhos de outros, as necessidades de outros à minha frente e à frente do que eu sonhara e tinha planeado para o meu futuro. Sei que o fiz com todo o amor, penso que é assim que devemos agir com aqueles que são do nosso sangue (e não só) e na altura o que fiz pareceu-me correcto, mas hoje adulta, sei que deveria ter sido diferente. Sei que eu é que era a jovem menina e não deveria ser eu a agir como adulta, num tempo em que o que devia fazer seria estudar, namorar e ser feliz.

Custa-me sobretudo, não sentir qualquer gratidão, não que esperasse uma palavra, um obrigado. Mas que essa gratidão se traduzisse em gestos, em preocupação, em carinho e em amor. Porque amor, precisamos sempre ao longo da nossa vida.

Custa-me ainda saber, que no meio de uma luta, que não era minha, eu era apenas a filha, nada mais, houve quem me esquecesse, ou se não esqueceu, age como tal, desde essa altura e sei que assim vai continuar...

No entanto e durante todo este tempo, a criança que fui, teve um menino com quem brincava. Na adolescência e principio da idade adulta, enquanto toda a sua estrutura familiar se desmoronava (na realidade nunca esteve inteira) nas vezes que aparecia a chorar à sua porta, teve um jovem que a confortou, apoiou e foi a sua família e sei que esse jovem, hoje homem, continua a ser o meu porto de abrigo. Mesmo longe, mesmo noutro país e eu sinto-me grata por o ter na minha vida, sinto-me grata por este amor. Obrigada meu amor, por tudo...

Quanto ao que se perdeu de mim, talvez um dia consiga recuperar... Talvez um dia volte a acreditar que tudo é possível, que em vez do olhar triste, estes olhos grandes e castanhos, como dizes amor, se voltem a iluminar... Talvez um dia... ⦁

11 de maio de 2014

Condição Humana..

 Menina Siria, na sua casa em ruinas, após um incêndio causado pela guerra - Foto de autor desconhecido

Ninguém escolhe onde nasce e a que família pertence.. é algo que nos é impossível escolher.. Como seres humanos, crianças, bebés.. Nascemos onde a nossa família está, seja num meio mais afortunado ou num meio mais humilde e pobre e muitas vezes em circunstâncias terríveis.. Como crianças que nascem e crescem num pais em guerra por exemplo.

Na realidade actual, no meio de tanta tecnologia, de tantas redes sociais, penso que a consciência social é cada vez menor.

Esta semana numa rua de Lisboa, vi um Senhor, numa cadeira de rodas, sem os membros inferiores a pedir esmola.. Subi a rua, olhei para ele, vi as pessoas a passarem, muitos nem olham, senti como se tivesse levado um murro no estômago.. Agarrava uma pequena caixa e olhava as pessoas com um olhar vago.. sem esperança.. Pensei para mim, que ao descer a rua iria ter com ele e assim o fiz.

Ajudei com o que podia ajudar, a caixa dele estava praticamente vazia, olhou-me com um olhar tão triste, mas tão triste e disse-me Obrigado, partiu-me o coração.. Senti que estava a fazer tão pouco..

Ouvi algures, penso que por um psicólogo, que na nossa vida, temos tendência a nos distanciarmos porque é muito duro, vivermos, convivermos diariamente com realidades tão difíceis.. Talvez falasse do aperto que senti, mas e quem está lá ... E quem passa por isto, vive e sente na pele ?

Podia ser eu naquela cadeira de rodas, sem quaisquer posses ou meios para subsistir.. Podia ser eu a criança que ficou sem os pais numa guerra estúpida, ou podia ser a mãe dela.. que devido á guerra parti e a deixei só neste mundo..

Há pouco tempo vi uma reportagem sobre os refugiados da Síria, vi uma família em que as crianças devido á guerra perderam a mãe.. Uma guerra que já vai no quarto ano..

São crianças que cuidam de crianças, criam os irmãos e tomam conta do pai .. Que devido a guerra e à perda da mulher ficou completamente afectado psicologicamente e regrediu para um estado quase infantil.

Uma das meninas, a Halla, contava a Angelina Jolie que tinha sonhado com a mãe, que tinha muitas saudades dela... que acordou a meio do sonho e tentou novamente adormecer e voltar a sonhar .. mas não conseguiu.. Conta que tem saudades da mãe os deitar e das historias que lhes contava..

Estes irmãos apoiam-se da maneira que podem numa pequena barraquinha, tratam do pai, dão-lhe medicamentos, vivem do que conseguem apanhar dos destroços e vendem..
Contam que eram uma família normal que iam a escola, que brincavam no jardim, quando as bombas vieram.. O mesmo jardim que Halla diz que tem saudades do seu verde e de brincar nele..

Chorei ao ver esta reportagem, há uma pequena parte em que um dos meninos pergunta a Angelina se ela tem filhos, ela responde que sim e a preocupação dele, era com quem estavam.. se estavam sozinhos.. e repete a mesma pergunta varias vezes quase numa aflição...tocante... arrepiante ..

Estas crianças ao contrário de muitos tablóides, não querem saber se é mulher de um actor conhecido.. Ou qual foi o vestido que levou a uma festa.. Eles querem saber se as crianças tem pai.. E se estão sozinhas.. Isto é a preocupação deles..

Falta-lhes a mãe, o seu carinho, a sua protecção, o seu cuidado, falta-lhes um pai capaz de os proteger, estes meninos deixaram de ir a escola, foram forçados a crescer, a sua infância, o seu tempo de serem meninos, foi-lhes roubado.. tão triste .. É tão triste..

Acho sinceramente e esta é a minha opinião, que as pessoas estão mais frias, mais preocupadas consigo mesmas, mais egoístas, há excepções claro e ainda bem.. Mas vivemos numa sociedade em que as pessoas são cada vez menos amáveis, em que se formos numa rua e nos derem um encontrão, muitas vezes, não se ouve um desculpe, ouve-se cada vez menos um Obrigado, quantos de nós já cumprimentámos alguém e não nos responderam de volta ou falaram conosco de forma rude, sem qualquer razão..

Dizem que são os tempos difíceis, a crise, a falta de dinheiro, a falta de trabalho.. há menos tolerância.. mais desespero..

 Acredito, mas e então e aqueles, que não tem nem dinheiro, nem tecto, nem emprego, que ainda cuidam de pessoas doentes ? E mesmo assim ainda se preocupam com os outros..

Estes tempos que dizemos que são difíceis, não nos deviam tornar mais humanos e fazer-nos dar valor ao que temos, que possivelmente até não é assim tão pouco.. Somos pessoas cada vez mais insatisfeitas, devíamos agradecer mais o que temos e olharmos em redor e termos consciência de outras realidades e fazermos o exercício simples de nos pormos no lugar do outro..

A pergunta depois de ver a história da Halla e dos seus manos, que surgiu na minha mente foi esta : e como podemos ajudar  ? Usem as redes sociais para divulgar estas mensagens e vídeos, quem tiver a possibilidade, aceda aos Sites Oficiais ( Unicef, por exemplo ) e contribua.

Há quem diga que a Angelina Jolie, quanto aos seus filhos adoptivos, que é uma forma de se " auto-promover ", eu não acredito nisso, mas quem pensa assim e mesmo que assim fosse, não vê .. Que ela deu um lar a um menino vietnamita, deu uma família a um rapazinho do Cambodja e a uma menina da Etiópia.. Não é isto que é importante.. Que estas três crianças tem um lar, uma família e um futuro ?

Não, eu não critico em nada a Angelina, pelo contrário, eu própria se fosse aos países que ela tem visitado nas suas viagens humanitárias, também os iria querer trazer a todos, todos aqueles meninos e meninas para casa.. Essa também seria a minha vontade.. mesmo sabendo que é impossível ..

Sim, penso que devemos valorizar o que temos, sermos humanos, no nosso dia-a-dia, com quem nos rodeia, sermos mais amáveis e simpáticos e olharmos em redor e termos consciência que há realidades muito duras, muito piores que a nossa e que precisam de ajuda, como meninas que são obrigadas a casar com homens de 50, 60 anos, como as adolescentes nigerianas que foram raptadas e que as mães desesperam para que elas voltem para casa..

 Para mim, estas histórias, que são bem reais merecem ser contadas.

 No fim do vídeo, a pequena Halla diz : 

Se eu pudesse estar com a minha mãe por mais um dia ..
Eu deitar-me-ia ao lado dela, para ela me contar uma história de embalar, diria, eu amo-te mamã, tenho saudades tuas, fica conosco..

Aqui deixo o vídeo desta família Síria  - Angelina Jolie visits Syria refugees
Aqui, o vídeo da Catarina Furtado - Continuamos à Espera
Site da Associação - Corações com Coroa
Site da UNICEF - Children of Syria
Biografia da Angelina Jolie
Biografia da Catarina Furtado

E por último esta música que retrata este post - Faithless - Bombs
Divulguem este Post e os Vídeos, Obrigada


Crianças refugiadas Sirias - Foto de autor desconhecido

7 de maio de 2014

Amizades Puras..

Foto retirada da web - autor desconhecido

Crianças e cães.. dos seres mais Maravilhosos que existem.. com eles conhecemos a Inocência e a pureza das crianças e um amor tão fiel destes nossos amigos... 

Porcelain - Moby - Linda esta música 

28 de abril de 2014

A Criança que fui..

Foto retirada da Web, autor desconhecido

Está um dia de sol, um belíssimo dia e eu queria tanto te ter aqui, tento afastar estes pensamentos, afinal disseste-me com carinho e a sorrir que vou encher o blog de lamechices nossas..

Olho para a rua, vejo crianças a andar de bicicleta, a correrem, a jogarem a bola, alegres.. sorridentes e lembro-me da minha infância ..

Fui uma menina que cresceu no campo perto da cidade e não o trocaria por nada..

Lembro-me das brincadeiras com os meus irmãos.. dos Verões quentes em que eu pequenita adorava os banhos de mangueira ou quando o meu irmão nestes dias de calor me punha dentro de um bidon de água, havia dias que me zangava, outros em que era eu que lhe pedia para me por lá ..

Lembro-me dos dias longos.. das noites quentes, do som dos grilos e da luz dos pirilampos..

Adorava passear no campo, deitar-me no meio da flores, das ervas, deliciava-me a subir as árvores e apanhar pêssegos, ameixas, alperces, nêsperas e ao comer directamente da árvore.. e malandros, eu e os meus irmãos, com tantas árvores de frutos que tínhamos .. por vezes ainda íamos apanhar cerejas ao quintal da vizinha.
Passava tardes debaixo do fresco do pinheiro.. da sua sombra.. a partir pinhões, tantos até encher pequenas taças, que levava depois para casa, ou que comia com as mãos a cheirar a resina..

Lembro-me do tanque grande de água, atrás da casa, onde a sua função era regar o campo em redor, mas para nós.. para os manos e até para ti amor, que eu já te conhecia aqui pequenote.. Era a nossa piscina.

Fui uma criança com uma forte ligação a terra e ainda hoje a mantenho..
Cresci com animais.. abraçava os meus cães, agarrava com carinho os pequenos borreguinhos que nasciam, ajudei a aquecer leitões em risco de vida que tinham acabado de nascer.. e não trocava estas memórias por nada..

Conheço as árvores, os cheiros e ainda hoje, quando passeio no campo, estas memórias que parecem adormecidas, se avivam.. o cheiro da terra.. quando chove, os sons dos pássaros .. Adoro.. Estão gravados em mim e nesta gaveta da minha memória, da minha infância..

Lembro-me que gostava imenso de passar tardes nas silvas, a apanhar e a comer amoras, tantas, adorava .. lembro-me do olhar da minha mãe, quando eu chegava a casa, com a roupa manchada daquele vermelho escuro das amoras, com as mãos, com o rosto, tudo vermelho, toda suja, mas com um sorriso tonto no rosto..

Lembro-me do meu baloiço .. do vento fresco a bater-me na cara... adorava andar de baloiço..

Recordo- me ainda de me deitar debaixo dos eucaliptos que ficavam perto da casa, achava aquelas árvores gigantes, mágicas, com a luz difusa do sol e ficava a olhar para o topo destes gigantes e o cheiro... ainda hoje adoro o cheiro a eucaliptos.

Lembro-me de uma infância muito rica, de muitas risadas, de muitas brincadeiras no campo e com os meus irmãos. Lembro-me da sensação que o mundo era um lugar mágico e muito especial... 
Estas são as memórias da criança que fui e parte dela como disse aqui, quero manter inalterada. 

*Mais sobre o Campo aqui.

7 de abril de 2014

Seres Inacabados..

Foto Infãncia, tirada num pequeno parque em Alverca

Somos seres começados, mas inacabados..
Há quem diga que não mudamos, que o nosso feitio não se altera..
Eu não penso assim.. tudo muda, as estações do ano, a paisagem, os lugares, seremos nós seres imutáveis.. penso que não ..

Sempre tive receio de me tornar amargurada, "amarga", com o que a vida pode trazer.. desde muito nova sempre tive receio de perder doçura ..
A doçura de acreditar nas pessoas, de sorrir, de ser amável .. no fundo manter a inocência, manter um pouco o mundo visto pelos olhos de uma criança..

Este receio talvez se deva a ter lidado com pessoas que a vida mudou.. Lembro-me de lidar com pessoas amargas, por vezes rudes e de não entender o porque e de ficar triste com as suas reacções .. 
Mas a vida, o tempo, ensinou-me a ver de outra forma..
Que sabemos nós muitas vezes, de quem tem no olhar o peso do mundo.. de quem é seco por vezes sem razão aparente ? Quem sou eu para julgar o que desconheço.. O que vai no intimo de cada um.. Pessoas que podem estar a lidar com perdas de quem amam, doenças e outros problemas que surgem na vida..

Ainda fico triste .. confesso.. quando alguém é seco sem motivo aparente, mas fico mais triste não por mim.. Mas pela pessoa.. Penso que está ali alguém que já foi criança, que já riu sem parar, que brincou, sonhou, acarinhou e algo a fez mudar.. E isso para mim é triste.. tão triste..

Não me tornei amarga, seca, ríspida ou amargurada, mas continuo com o mesmo receio, porque não sei o que a vida traz, mas duvido que me torne seca perante os outros.. e para os outros..

Afinal, a vida também nos traz muito de bom que nos faz manter a inocência de criança ..
Penso que a essência está em focarmos-nos nas coisas simples... Algo que as crianças fazem tão bem..
Tirar prazer de estarmos com quem amamos.. da partilha, da cumplicidade.. dos pequenos gestos de amor, de carinho, de ternura, das pequenas coisas que nos fazem felizes e nos enchem a alma.. 
Sorrir e nos piores momentos, nunca deixar de acreditar que melhores dias virão ..

Afinal .. continua a existir dias de sol.. E de arco íris quando chove..
A vida para mim muda-nos sim, aprendemos muito, amadurecemos.. 
Mas eu continuo a manter uma parte da criança que fui ...

Criança essa que adorava andar de baloiço debaixo de um pinheiro em que o cheiro a resina e a flores do campo ainda hoje me levam para esse lugar, esse canto da minha memória ..
Lembro-me do baloiço do sol na cara, dos cheiros do campo, de me inclinar para trás, de fechar os olhos e da sensação de liberdade..

Sim, ainda mantenho muito dessa menina que fui. E assim quero permanecer.

Deixo aqui este video que adoro e que mostra a importãncia de pequenos gestos e esta música. 

6 de abril de 2014

Inocência..

Foto Retirada da Web - Autor Desconhecido

'' A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes. '' - Oscar Wilde

16 de março de 2014

A nossa canção..

Fim de tarde de Domingo, está um dia de sol, estou num pequeno café..
Lá fora, vejo as crianças a brincar.. a jogar á bola, a andarem de bicicleta.. estão alegres e sorridentes..
Mas eu não me sinto assim, sinto-me inquieta, angustiada, aborrecida, porque há dias em que a tua falta me consome, me aperta o peito... e nestes dias é quando sinto mais a tua falta...

Talvez porque, como na expressão italiana " dolce fare niente " , muitos dos dias que têm a doçura do não fazer nada.. sempre foram passados contigo amor...
Sinto saudades dos nossos passeios.. da partilha de olhares, sorrisos, mimos... cumplicidades tão nossas..
Estou-me a lembrar de Óbidos ... 
De passear contigo nas tasquinhas, do burburinho nas ruas, do cheiro a chocolate e a gingas no ar... da música que tocavam... dos homens estátuas.. as crianças a brincarem com os seus balões.. da alegria.. sentia-se a alegria no ar..
Lembro-me ainda de percorrermos aquelas ruas tão históricas.. de subirmos ao castelo... de refilares comigo porque eu não parava de fotografar... lembras-te amor ?

São pedaços de vida, pedaços da nossa vida...
Que constroem uma história.. que compõem a nossa canção.. .a love song ..
Ao longo da nossa vida.. lembro-me de várias canções que marcaram determinado momento.. que associo aquela altura.. a determinado lugar..
Mas há uma música que nos toca os dois e que sempre gostámos e que nunca fez tanto sentido como nesta altura da nossa vida..
Pauta sem dúvida a nossa vida, o nosso amor.. a nossa canção de amor .. 

Óbidos, Março de 2012

Memórias de um amor..

Saudade..

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